Boyhood

Boyhood é… simples. Mostra o crescimento de Mason e sua família, seu entorno, a sociedade, seus amigos, os Estados Unidos, e de uma maneira, o mundo… (spoilers ahead)

Filmado ao longo de 12 anos, acompanhamos o crescimento real dos atores e do nosso mundo, e eventualmente dos personagens e de seu mundo. O filme é um documento histórico com mudanças sociais e tecnológicas como nenhum outro filme… O método e a duração da criação são incríveis… Mas, infelizmente, no meu caso, o filme não me pegou… Não me levou ao fundo. Não provocou reflexão…

Linklater apresenta a realidade de um jeito muito bonito… O filme é muito bonito! É muito gostoso de assistir. Mostra uma realidade com ambiguidades, com idas e vindas, com problemas individuais e sociais. É ótimo… Como um homem posso me identificar muito com tudo o que o menino passa e deixa de passar e etc… Não consigo me prolongar nisso. É um filme gostoso e único, de fato.

Pessoalmente as reflexões dos personagens e seus diálogos, tão adoradas por muitos, não me atingiram muito… Reflexões mastigadas não é o meu prato preferido. Como no final quando eles conversam sobre como o momento aproveita você e não você o momento..(?) Não é a toa que momentos antes eles tomaram um ácido qualquer. Mas, drogados ou não, esse tipo de diálogo permeia os filmes do diretor.

Considero muito mais valioso, neste filme, o olho do diretor para as coisas simples que consegue captar… Isso realmente é mágico.

Se tenho algo que ficou em mim foi a personagem da mãe (Patricia Arquette). O filme é um retrato fiel dos últimos 12 anos da sociedade norte-americana, e mais importante, da família norte-americana. A ênfase do filme está na mãe. Ela, pra mim, é o personagem principal do filme. Ela é quem esteve presente para os filhos. Educando e cuidando deles. Assumiu essa responsabilidade sem exigir nenhum tipo de reconhecimento… Não que o diretor esteja propondo um exemplo de mãe a ser seguido, mas está retratando uma heroína do dia a dia. Ela atravessa diferentes empregos enquanto os filhos crescem. Como em uma sociedade primitiva, consegue homens que ajuda ela a prover para a família… Mas todos com problemas de alcoolismo. O álcool, muitas vezes, é um meio encontrado para fugir da realidade. Nunca entramos nos porquês dos problemas dos homens, apenas sabemos que de repente eles ficam alcoólicos e estupidos. Se minha hipótese está correta: querem fugir (como o primeiro marido e pai dos meninos). E ela, como uma matriarca que pensa no bem de seu clã, os deixa. Não é curioso que não entramos nem um pouco nos romances da mãe? Uma boa dica de que ela é a personagem é a cena do restaurante onde o gerente aparece e é o ex-encanador que diz que ela mudou a vida dele com uma sugestão que ele estudasse a noite, etc. O tempo passou. Anos! E re-aparece um personagem inteiramente mudado… E não acompanhamos nada disso. Assim como a mãe. Ela é a ativa do filme e que reclama com todo o direito no final falando que sua vida não é nada mais que sucessões de certos momentos e logo estará velha. Ela é a que lutou para que a infância dos filhos existissem. Ela é o motor do filme. Isso sim é uma bela sugestão.

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